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Blog - Tio Mário e Eu - Sherazade

Muitas vezes nós olhamos uma mulher como se olha um monte de carnes. Ou melhor, e em alguns casos, como no São Paulo Fashion Week...

30/11/2016 8:49 - Tio Mário e eu

Sherazade   

Muitas vezes nós olhamos uma mulher como se olha um monte de carnes. Ou melhor, e em alguns casos, como no São Paulo Fashion Week, um monte de ossos e algumas carnes. Neste açougue humano, pensamos em como poderíamos ser felizes com uma daquelas.

E aí vem a sabedoria do já referido excepcional do Tio Mário (aquele que teve encefalite na infância e pensa e age tal qual uma criança de sete anos), que ao ver algo realmente bom dizia: “imagine nós com um desse!”.      

Tio Mário já se imaginou, ou melhor, nos imaginou pilotando um jatinho quando foi ao aeroporto, ou uma Ferrari quando a viu de perto. Mesmo com a trágica experiência de ter pilotado uma mobilete em 1977, tendo se arrebentado num poste nos primeiros cinco metros. E mesmo assim, tio Mário queria pilotar uma Ferrari.

E eu, como seu dileto sobrinho, e mesmo já tendo passado por experiências semelhantes, tendo recebido trombadas homéricas com mulheres gostosas, sempre me imagino: “imagina nós com uma dessas”.      

É que a mulher gostosa, e mesmo a nem tanto assim, mas que o mundo acostumou a chamar de gostosa, se acha e está numa posição privilegiada, naquela em que o mundo pode dizer que é o “crem de la crem”. E num universo de gente feia – desculpem os que vêem a beleza interior, repito, feias mesmo por dentro, uma pessoa com as “coisas” nos conformes pode ser chamada de bonita nesta paisagem estéril.     

E estas formosuras, muitas vezes aclamadas, mesmo, e repito, por uma anatomia próxima ao normal – ou seja, sem alterações morfofisiológicas, se colocam num pedestal inatingível, como se portadoras de segredos que só elas tem. E algumas tal qual cães de exposição, em nada investiram para tal beleza. Simplesmente foram agraciadas com um “to good to be true” apenas por um ato benevolente da natureza. E nós delas gostamos? “Craro, Cróvis”, quem ia ser idiota de tirar de sua vida, ou melhor de sua cama, uma mulher bonita ? Não serei eu, e muito menos o Tio Mário, caso ele algum dia se disponha a perder sua impávida virgindade.     

E um improvável leitor me perguntaria: está reclamando do que? E o que o título tem a ver com esta merda toda? É que eu gostaria de dedicar umas linhas a aquela estória das mil e uma noites que ouvi minha querida avó luzitana contar, ainda que de má vontade. Minha avó se irritava com minha falta de sono e com sua mania de perder os óculos. Daí uma combinação tremenda com um neto insistente. 

Voltando, nesta história, o sultão, rodeado de popozudas, fez aquilo que todos nós gostaríamos de fazer com boa parte das frequentadoras de nossas camas: transar e não ter a preocupação de ligar amanhã, nem de ficar dormindo de conchinhas o resto da noite. Porém, e levando este raciocínio ao extremo, o chefão mandava decapitar a coitada (literalmente), e assim, sem pagar pensão ou qualquer adicional de terapia de casais, ele resolvia, e de forma unilateral, encerrar este discutir a relação. Por favor, rapaz, não sorria nesta hora.     

Mas, e aí a arte imita a vida, uma das mulheres era diferente. Sherazade se propôs a contar uma história por noite, só não me lembro se era antes ou depois do rala e rola. Porém, o sultão gostou da primeira. E desta, seguiu-se a segunda, terceira, etc, até chegar na milésima primeira, quando a mesma, num perigoso ocaso criativo, decidiu que agora chega. Não possuía mais estórias para contar. “Corte minha cabeça se assim o quiser”, disse-lhe ela. E o sultão embevecido, decidiu-se por não matá-la e transformá-la em sua preferida. O interessante é que ninguém se pergunta da parte ética do sultão, e até muitos o consideraram gente boa por não matá-la. Acredito que muitas moçoilas se casariam com esta versão sofisticada do Maníaco do Parque (este também enlaçado no matrimônio), acreditando também ter o dom “Forrestgampiano” da nossa heroína.

Voltando ao que interessa ou seja, sexo, na verdade, imagino que ele devia cavaca-la pois o mesmo não aguentaria mil e uma noites sem sexo naquele ambiente luxuriante, mas isso a estória ou mesmo minha pudica e tramontina avó com certeza suprimiram.     

Daí se conclui algumas coisas. Uma delas, que os grandes filhos da puta sempre conseguem belas mulheres. Ainda escreverei sobre estes que chamamos amigos em alguma ocasião. E outra, que uma mulher, que tenha um repertório a mais, que saiba cativar, contar, ou talvez, fazer uma história (ou História) com a gente consegue manter a cabeça dela sobre os ombros e a nossa dentro dela.     

Então, caras senhoritas, e principalmente senhoras, instruam-se, sejam agradáveis, guardando seus queixumes onde um homem jamais irá pisar em sã consciência, ou, espere a idade de minha avó para ser poliqueixosa. Depois, trate-nos como um sultão, divirta-nos, que mesmo após mil e uma noites, e num período de criatividade faltante, manteremos vossa linda cabecinha no lugar. O mesmo vale para os improváveis homens que possam ler essas linhas mal rabiscadas. Sempre tento aconselhar mulheres pois tenho especial apreço por elas.     

Mas, acima de tudo, lembre-se: faça o possível para ser apresentáveis (naqueles parâmetros), pois acho que as feias passariam longe do harém do sultão, e mesmo que isso fosse mais seguro, nenhuma mulher iria querer ficar no caridó, não é?

 

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